Certos momentos só podem ser apreciados quando você tira o pé do acelerador.

Lugares já visitados e alguns relatos

Abaixo alguns lugares que já visitamos e relatos das ultimas aventuras 

POÇO DAS ANTAS MONGAGUÁ SP

AMPARO E MONTE ALEGRE DO SUL - CIRCUITO DAS ÁGUAS PAULISTA

Trilha Funicular: Travessia Paranapiacaba x Cubatão 

TRILHA DA FERRADURA PARANAPIACABA SP

TRILHA DO RIO MOGI / PARANAPIACABA X CUBATÃO SP

PICO DOS MARINS

TRAVESSIA SERRA FINA

EM BREVE "SERRA DOS ÓRGÃOS"

EM BREVE

Ferrovia Funicular realizado!

Ferrovia Funicular

Fazer a Travessia da Ferrovia Funicular era um sonho, um pouco distante ao meu ver, mas não descartado totalmente, só precisava encontrar as pessoas certas, malucas o suficiente para trilhar sem pressa sobre os viadutos deteriorados dessa linda travessia.

Vou lhes contar uma breve história sobre a Ferrovia Funicular: O nome "Funicular" se dá a um sistema para tracionar trens que funcionou em Paranapiacaba/SP. A concessão inicial era da empresa Inglesa São Paulo Railway (SPR). Inicialmente o sistema foi utilizado para o transporte de café das cidades de Jundiaí ao porto de Santos.
A primeira linha do Sistema Funicular entrou em operação em 1867, onde 7,5 Km de serra foram divididos em 4 patamares. Foi descontinuado em 1970 e onde passava o leito original deu lugar ao sistema Cremalheira que entrou em operação em 1974 e funciona até hoje.

Como surgiu esta ideia maluca chamado Ferrovia Funicular:

Depois de algumas travessias próximas a ela, como: travessia Rio Mogi e Ferradura, passamos a vislumbrar aquelas pontes em ruínas que tinha o sobre nome de Aventura,  e em conversas malucas em meio a malucos decidimos se aventurar naquele lugar,  queríamos fazer uma aventura especial.

Inicio TRAVESSIA FERROVIA FUNICULAR 2017
Inicio TRAVESSIA FERROVIA FUNICULAR 2017

Entre os viadutos e túneis a mata atlântica encobre o antigo sistema funicular, nessas horas a apreensão era sempre grande, pois como já havíamos pesquisado, ali é um lugar propício para se deparar com cobras peçonhentas, como Jararacas, Cruzeiras e também com a cobra Caninana (sem veneno). Recomenda-se usar perneira, luvas e roupas compridas, pois no trajeto há urtigão, uma planta que causa irritação na pele e cosseira quando entra em contato com a pele.

O próximo grande desafio da travessia da ferrovia funicular seria o viaduto 15, este estava um pouco mais deteriorado que a primeiro, neste passamos por cima dos trilhos, pois é a única passagem confiável sobre o viaduto, a parte complicada disso é que existem dois trilhos, um ao lado do outro, no lado esquerdo do viaduto, o trilho do meio era mais alto que o da extremidade, isso fazia com que eu me sentisse mais inseguro ainda, os passos eram bem curtos, pois afinal estávamos de mochila cargueira carregada, com isso aumenta-se o risco, pois se houvesse um deslise qualquer, a mochila podia pender e nos levar junto com ela. Caminhamos devagar, sem pressa, com ajuda dos amigos superamos mais um obstáculo.

Depois de passar pelo viaduto 15, passamos por um pequeno trecho de mata fechada e chegamos no túnel 11, este é um pouco extenso e possui abertura em seu interior no lado direito três janelas, ali fizemos uma pausa para comer uns lanches, tomar água e contemplar aquela construção maravilhosa. 

Após esse túnel vem um dos pontos culminantes da Ferrovia Funicular, a famosa ponte Grota Funda, a ponte mais alta do percurso, com 60 metros de altura aproximadamente, aqui o medo, pavor e outros sentimentos afloraram, conforme vamos descendo a ferrovia e nos aproximamos do mar, as pontes e viadutos vão ficando mais deteriorados, com enormes vãos livres em seu meio. Depois de finalmente cruzar a ponte, fomos conhecer o quarto patamar do sistema funicular, ali você consegue perceber a engenhosidade e a grandeza dos construtores ingleses, pois as estruturas são gigantescas, montadas perfeitamente, este patamar é um dos mais conservados de todo o percurso, ali é possível contemplar a estrutura metálica da ponte Grota Funda. Neste local é possível tirar a famosa foto sobre a estrutura metálica em um abismo de aproximadamente 60 metros de altura. 

Após fazer inúmeras fotos, conversar, descansar e fazer alguns lanches, seguimos em direção a cidade de Cubatão.

Hoje em dia os trilhos do sistema Funicular está completamente abandonado e em meio a mata atlântica, então onde não há pontes ou viadutos a apenas pequenas trilhas de mato fechado, muitas plantas urtigões e bananeiras gigantes. Caminhar adentrando pela mata tive a sensação de estar em um filme no Vietnã. kkkk, em alguns trechos a mata é muito densa, ainda bem que tínhamos um facão, assim ia na frente abrindo caminho.

A travessia funicular já é uma aventura inesquecível para qualquer pessoa que se aventura por aquela região, palavras de um guia falou durante a travessia, " não é necessário transpassar as pontes deterioradas, algumas delas não existem mais nem os dormentes, a pessoa tem que passar apenas por cima dos trilhos, sem nenhuma segurança" depois de conversar com o grupo todo, chegamos a conclusão que iriamos ir pelos desvios, pois a alguns riscos que são desnecessários.

Passado quatro horas de trilhas, chegamos no 2° Patamar da Ferrovia Funicular, ali seria a nossa moradia durante aquela noite, imagine um galpão enorme, construído tudo de ferro, até o chão era de ferro, tínhamos que andar atentamente, tanto durante o dia quanto durante a noite, pois ali o chão foi construído em blocos, e falta alguns deles, então sempre andávamos atentos, para assim não sofrer nenhum arranhão. Para pegar água por exemplo, caminhávamos até um pequeno córrego que havia ao lado do Patamar, água cristalina, livre de poluição.


No dia seguinte acordamos, arrumamos todos os equipamentos nas cargueiras e voltamos a trilha, neste segundo dia o ponto culminante foi a chegar a Ponte Mãe, está é o lugar mais difícil e perigoso de toda a travessia, na parte de cima onde começa a ponte, a mata já encobriu boa parte de sua estrutura metálica, até é possível passar por cima dela, mas não recomenda-se, pois sua estrutura está totalmente comprometida, pensando sobre isso resolvemos ir pelo desvio, este cruza por baixo da Ponte Mãe.

Uma Observação é possível caminhar sobre a ponte, mas um de cada vez, conforme você vai dando os pequenos passos sobre os trilhos e dormentes deteriorados, os pedaços da ponte vão caindo, então ainda bem que fomos pelo desvio. "É bom permanecer vivo".

Após cruzar os obstáculos da ponte Mãe era hora de encarar o Túnel Pai, o maior túnel desse complexo ferroviário, o local é muito úmido, possui inúmeros morcegos, ali foi o lugar onde avistamos a única cobra do trajeto, um filhote de cobra Canina, com cerca de 50 cm que estava em meio a alguns dormentes ali amontoados.

Depois de passar o Túnel Pai a uma outra ponte com a estrutura muito comprometida e o último túnel da Ferrovia Funicular. Certo que desviamos essa também, depois disso chegamos a última ponte do trecho, está já está desmoronada, o desvio é feito pelo lado de cima, passando em meio a uma cachoeira muito perigosa, com pedras lisas.

Depois de cruzar a cachoeira a trilha começa a ficar mais retilínea, a altitude vai baixando e vemos no horizonte que estamos cada vez mais perto da cidade de Cubatão/SP, no fim do trecho passamos por enorme duto de água, este representa de fato as últimas construções do sistema Funicular, último ponto antes do pátio de manobras da empresa MSR Logística, atual proprietária do sistema de cremalheira usado até hoje para transportar cargas entre as cidades de Paranapiacaba e Cubatão/SP. 


Subindo ao Pico dos Marins

Pico dos Marins

Depois de um ano voltamos ao sublime Pico dos Marins uma montanha brasileira, situada na serra da Mantiqueira, no Estado de São Paulo. Seu cume está 2420,7 metros acima do nível do mar, sendo o 26° pico mais alto do país.  

Ao decorrer do mês de Junho passamos a organizar mais um trekking entre amigos, planejamos em pegar a estrada no 07/07/2018 por volta de 0hrs, mas sempre tem aquele trilheiro pé de breck  que acaba atrasando a todos e acabamos saindo de Diadema-SP por volta de 1h30mn chegando em Piquete-SP por volta de 4h30mn. Paramos para um café antes de realmente encarar uma bela caminhada que nos levaria até o cume da montanha.
 

Caminhada para o Pico

Como sempre o começo de toda trilha é super empolgante, até nós deparamos com a primeira subida que nos tira o folego e demonstra para cada um a grandeza do desafio que iriamos enfrentar durante em media quatro horas de plena subida.

Em toda caminhada somos surpreendidos com a beleza e esplendor do lugar, imagens inesquecíveis, mirantes, vales, montanhas, mata e um céu cada vezes mais próximo de você, essa é a impressão que temos quando estamos a ponto de uma nuvem nos envolver.
 

Às profundezas do Pico

O respeito a natureza sempre tem que está em nossa mente, pois sabemos o quanto é grandioso os riscos que estão ao nosso redor. Estamos sempre em um meio fio em escolher a rota certa, o caminho correto, a pisada e pegada correta, pois qualquer erro por menor que seja trara um grande prejuízo ao passeio.

Em toda trilha encontramos totens e demarcações indicando o caminho até o pico, mas não se iluda pois qualquer distração pode te levar a vales e precipícios perigosos, além de frestas e buracos escondidos por traz da vegetação. Fora todo o relato acima, não tem preço que pague quando completamos a jornada até o pico, VISÃO QUE POUCOS CONSEGUEM TER, o por do sol, as nuvens e um céus o qual não estamos acostumados a ver, não se explica a perfeição DEle.  

Travessia da Serra Fina: o Trekking mais desafiante do Brasil

CONFIRA

Os amantes de  trekking já ouviu falar sobre Serra Fina, com certeza. Localizada entre as cidades de Passa Quatro e Itamonte, esta travessia meche com imaginário de muita gente. Desde muito tempo reconhecida carinhosamente pelo título de "A travessia mais difícil do Brasil" e o mantém até hoje, mesmo com algumas controvérsias...  É um trekking difícil? Sim! É pra qualquer pessoa? Não!

Mas, por que a travessia da Serra Fina é tão difícil assim?

São vários os motivos que dão esse título a ela. Um deles é a navegação, que, no início da exploração turística na região, era BEM complicada. Hoje ainda é, mas bem menos.

O frio lá é de congelar os ossos. Em relatos de pessoas que já subiram  montanhas de 6.000 metros de altitude pelos Andes e não sentiram  um frio igual ao da Serra Fina, que além de fria é úmida. Pra vocês terem uma noção, estão querendo dar o título de "local mais frio do Brasil" ao Vale do Ruah.


Apesar do nome "Mantiqueira" significar "Serra que Chora", a Serra Fina tem poucos pontos de água. Isso faz com que você tenha que carregar uma boa quantidade deste precioso líquido com você (cerca de 5 litros por pessoa por dia). Se não ficou claro o perrengue da água, lembre-se que 1 litro = 1 kg 

Por dentro da Travessia da Serra Fina

Dia 1 - Toca do Lobo / Alto do Capim Amarelo

O trekking começa na Toca do Lobo, local onde abastecemos o primeiro litro de água.

Esse primeiro trecho tem cerca de uma hora de subida em meio a uma mata cerrada, já beirando os campos de altitude, nada muito difícil, sempre nos aproximando da crista da montanha.

E quando chegamos nessa tal crista, percebemos o porquê da serra ser fina. Andamos até o cume do Capim Amarelo por essa fina linha de montanha.

Encarando sempre esta gigante montanha, passamos pelo famoso Passo dos Anjos, que é um local incrível, onde vemos o cume do Capim e o começo da trilha, com uma visão perfeita de todo o caminho percorrido e o que ainda virá pela frente.

Com um ponto de água no meio do caminho, você deve ter em mente que deve se abastecer completamente de água, pois cozinhará à noite e andará o dia seguinte todo até o final do dia só com esta água.

O cume do Capim Amarelo é um lugar mágico, de onde você pode ver o Marins e o Itaguaré, curtir um pôr do sol insano e ver o sol nascendo atrás da Pedra da Mina, objetivo do próximo dia.

Se o cume estiver cheio, continue por mais uma hora e você chegará no Maracanã, um vale, com uma graaaaande área para acampamento.

Dia 2 - Alto do Capim Amarelo / Pedra da Mina

Comece esse dia cedo, vendo o nascer do sol e tomando um cafezinho preto. Esse costuma ser o dia mais difícil da travessia, pois é longo e com muitas subidas e descidas.

Deixando o Capim Amarelo pra trás, vamos descendo em vales e subindo alguns pequenos cumes até realmente encarar a Pedra da Mina, que é a 4ª maior montanha do Brasil.

De longe parece que é um trekking fácil e que atacar o cume dela vai ser tranquilo, mas reavalie essa sua impressão. Esse gigante tem uma rampa de pedra bem inclinada e você vai gastar umas boas calorias pra atacar o cume.

Falando em cume, se você resolver dormir nele, é bom abastecer de água na base da Pedra da Mina. Se for continuar pro próximo acampamento (Vale do Ruah), lá tem água em abundância.

A Pedra da Mina tem 3 acampamentos:

  1. Cume: Que é pequeno e bem exposto ao vento.
  2. Ombro: Que só vale a pena se você subiu pelo Paiolinho*.
  3. Vale do Ruah: Que é ótimo, pois tem água, é abrigado do vento, mas é insanamente frio.

*Muita gente sobe a Pedra da Mina pelo Paiolinho, que nós usamos com zona de escape em caso de acidente ou de tempestade. É uma trilha que sai de uma fazenda e sobe direto pra Pedra da Mina, sem passar pelo Capim Amarelo. Ir pra esse acampamento fazendo a travessia fará com que você saia completamente da rota.

Dia 3 - Pedra da Mina / Pico dos Três Estados

Ao sair/passar pelo Vale do Ruah, abasteça tudo que você tiver de recipiente com água. Os próximos dois dias de trekking serão sem acesso nenhum a água.

Aliás, cruzar o Vale do Ruah é uma experiência incrível! Um pântano num vale entre montanhas, com um rio serpenteando, capim elefante de 2 metros de altura e caminhos que seguem em todas as direções. Um lugar mágico, frio e que oferece um bom risco de se perder (emocionante... hahahahaha).

Com um dia mais curto de caminhada (mas não menos difícil), as belezas da serra vão enchendo os olhos (e o cartão de memória da câmera). Chegar no Pico dos Três Estados não levará o dia todo e, com certeza é o cume mais bonito pra se dormir.

Com bastante vento, essa montanha está na tríplice fronteira entre SP/MG/RJ. O pôr do sol é um show a parte. Se estava bonito nas outras montanhas, nessa daqui é pra parar tudo que estiver fazendo só pra apreciar o sol se pondo no vale.

Incrível também é conseguir ver as montanhas do Parque Nacional de Itatiaia, como Agulhas Negras, Prateleiras e Couto beeeeeem pequenas.

Dia 4 - Pico dos Três Estados / Sítio do Pierre

Esse último dia é curto e fácil, sem grandes problemas, exceto pelo bambuzinho. Se você estiver carregando o seu isolante pra fora da mochila, dê um abraço nele antes de prendê-lo, porque provavelmente ele não sairá ileso. Durante todo o trajeto, você vai passar por bambuzinhos atravessados no meio da trilha e eles vão raspar em você e nos seus equipamentos. Provavelmente você ficará com os braços bem marcados e terá seu isolante rasgado (recomendo o uso de camisetas de manga longa).

Chegando no cume dos Ivos, a última grande montanha, você poderá olhar para trás e ver algumas montanhas que passou, uma vista sensacional e um ótimo momento pra agradecer.

Chegando no sítio do Pierre, você consegue pegar água, mas, não se anime, ainda tem cerca de 40 minutos de estrada de terra até chegar na rodovia que liga Itamonte à Garganta do Registro, e é lá que termina a travessia.

A Travessia da Serra Fina é um desafio, recomendado pra quem está com ótimo condicionamento físico, equipamentos adequados e experiência em trekkings de longa duração. É um lugar inóspito, que demanda uma logística impecável, principalmente se for em feriados.


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